Rua Januário Matroni, 143 - 1º Andar - Guarulhos-SP 11 2472-7113 11 2463-2101 11 4386-4071

O Que Não é Papel de uma Consultoria de Gestão

As consultorias de gestão deveriam ser contratadas para projetos de Desenvolvimento Organizacional (D.O) nas suas diversas abordagens. Deveriam…

Ao longo destes últimos quase trinta anos temos visto as mais estranhas motivações nos processos de contratação e, infelizmente vamos admitir, muitas vezes com a complacência ou falta de interpretação correta dos fatos, por parte das consultorias. Por este motivo, complementando texto anterior, gostaríamos de ressaltar aqui alguns papéis que não são de uma Consultoria de Gestão.

Detetive

Quando um cliente especifica entre suas expectativas que gostaria de fazer um flagra no Almoxarifado, na Tesouraria ou em qualquer outro lugar, ele está esperando um trabalho policial, e não uma forma eficaz de controlar essas áreas de modo que qualquer problema ou desvio, criminoso ou não, seja detectado pelo sistema. Se houver ineficiência, engano ou erro na operação, deve-se chamar o consultor para estudar o caso, propor medidas e treinar as pessoas envolvidas; se houver dolo, o telefone é 190, é outra competência.

Chicote do dono

Por vezes o cliente tem um parente próximo (em off: cunhados, genros e irmãos são parentes?), um empregado muito antigo ou muito agressivo, ou um sócio minoritário, etc., ao qual gostaria de aplicar uma tremenda surra organizacional: demonstrar quanta coisa errada está fazendo, dar uma decisão, demitir, se for o caso. O consultor parece adequado para fazer todo este trabalho sujo, enquanto eles continuam se freqüentando e jogando golfe e tênis juntos – afinal, “ – foi a consultoria que propôs ao Conselho, eu nem sei se concordo inteiramente…”

Estafeta

(Nome antigo do Office-boy). Acontece também de o cliente contratante estar querendo dar um recado: vai fazer cortes de pessoal, vai mudar a gerência, vai vender parte da empresa, vai fechar uma fábrica. Se a consultoria puder transmitir essas mensagens como sendo de sua lavra, poupa ao empresário uma série de acusações na mídia, nos conselhos de bairro, na associação de classe e nos sindicatos de empregados – e em casos extremos, poupa-o até ameaças à sua segurança, que passam para os consultores. A consultoria é chamada apenas para endossar um plano em vias de concretização, para o cliente ficar bem na foto, não para levantar um status quo, avaliar forças internas e externas, determinar oportunidades e ameaças – não, ela pode fazer a soma que quiser, desde que o resultado seja aquele.

Regra 3 da gerência

A analogia triste que se faz para a motivação como sendo duas cenouras apontadas para o empregado em extremos opostos de seu corpo, parece ser responsável por este tipo de papel esdrúxulo da consultoria de gestão. O raciocínio subjacente é: “ – já que meus gerentes não se mexem para comer a cenoura que está à sua frente, agora eles vão ver a outra. Vou pegar uma consultoria e…”. Notemos que não há a intenção de descobrir o porquê da falta de motivação ou de resultados, há a assunção de que é preciso punir – e nada melhor para fazer um titular se mexer melhor em campo do que saber que há um bom reserva no banco, a tal cenoura ameaçadora.

Babá de sucessores

Sei que muitas vezes os treinadores parecem exagerar, mas acreditem: vi um projeto em que uma das expectativas principais do cliente era que a consultoria criasse um volume tão grande de trabalho para um dos sucessores que ele tivesse menos tempo para a gandaia e parasse de pensar em ser candidato a prefeito ou vereador, não lembro. É claro que as consultorias de gestão podem orientar planos de sucessão e treinar os herdeiros nos diversos afazeres que os esperam, mas daí a criar formas de apenas mantê-los ocupados, é fazer como as mães que mandam os filhos irrequietos para todo tipo de academia e curso, só para terem sossego em casa.

Voto de Minerva nas lutas internas

Também ocorre a contratação de uma consultoria para simplesmente fazer o desempate entre idéias antagônicas de sócios ou diretores a respeito de um problema ou projeto. (Não se trata de elaborar a solução que conviria, mas de avalizar uma proposta, geralmente apresentada pelo – ou de interesse do -executivo que contrata…) Aqui a expectativa é a de que a consultoria funcione como um juiz comprado, que já entra em campo com o resultado do jogo gravado em seus cartões amarelos e vermelhos, para receber as verdinhas.


Por: MOURA FERNANDES

Agosto 19th, 2015

Categorias: Artigos



Gostou? compartilhe!

Solicite um orçamento